007 perguntas para Roger Moore: uma entrevista marcada para depois da morte

Roger Moore não atuou no filme 007 Marcado para a Morte. Lançado em 1987, este filme lançou Timothy Dalton no papel do agente secreto mais famoso do mundo, logo após a aposentadoria de Moore, que atuou pela última vez como o espião do escritor Ian Fleming na película 007 Na Mira dos Assassinos (1985).

Apesar disso, o terceiro ator a interpretar o personagem James Bond marcou a minha mente como nenhum outro. E como todos nós vivos estamos na mira da morte, com Roger não seria diferente: ele faleceu deixando sua estrela impressa na calçada das memórias como aquele que transformou o substantivo elegância em sinônimo de cinema.

Partindo deste mundo para outro, Moore viveu e deixou morrer serenamente em 23 de maio de 2017, quase aos 90 anos de idade. Sua vida foi além da imaginação quando, após ser reprovado nas aulas de desenho e animação, acabou conhecendo um importante diretor de cinema, Brian Desmond Hurst, o qual lhe foi apresentado por seu pai, que era policial e investigava um roubo na casa de Brian.

roger-moore-tieRoger Moore passou então a atuar como figurante no cinema, assim que Brian percebeu o apelo sedutor de Moore com as mulheres e, posteriormente, estudou na Real Academia de Arte Dramática, em Londres, com as despesas pagas pelo cineasta.

De qualquer modo, o céu nunca foi limite para o melhor 007 de todos, que além de 7 aparições como Bond, participou de boas séries na televisão inglesa, como The Saint (1962-1969) e The Persuaders! (1971-1972). Após encerrar suas participações icônicas nos filmes de espionagem, e inspirado pelo trabalho voluntário da compatriota Audrey Hepburn, Moore tornou-se embaixador mundial da Unicef para causas humanitárias, e também ajudou a organização PETA na defesa dos direitos dos animais.

Com saudades eternas, a equipe inteira de redatores do Não me Livro desse Blog (no caso, eu) partiu desta para a melhor em busca de Roger Moore, com o intuito dantesco de prestar-lhe as derradeiras homenagens. Confira neste furo de reportagem as palavras finais do gentil ator britânico (que talvez possam ter sofrido alguma alteração em seu sentido original, visto que foram traduzidas do inglês falado no além, reconhecido por ser muito mais evoluído espiritualmente).

ENTREVISTA COM O ANGELICAL MR. MOORE
Por Tiago Masutti
Versão Brasileira: Herbert Richers

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007 Viva e Deixe Morrer

CENA 001: Viva e Deixe Morrer

  • Roger, por que você deixou seu público tão precocemente, aos 89 anos?
  • Bem, devo dizer que, como britânico, a pontualidade sempre esteve em meu horizonte artístico. Embora tenha animado plateias no mundo todo, eu mesmo sofri calado por anos a fio após ser reprovado nas aulas de animação. Desanimado com este fato singular, decidi que era o momento de me retirar de cena, logo que a vida me deu uma deixa.
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007 O Homem com a Pistola de Ouro

CENA 002: O Homem com a Pistola de Ouro

  • E que deixa foi esta, Mr. Moore?
  • Começou quando notei que meus filmes tinham uns títulos esquisitos. Por exemplo, você lembra da Pistola de Ouro?
  • Não com muito orgulho…
  • Exatamente. Isto de nomes faz qualquer um perder a cabeça. Faz sentido Pistola de Ouro? É claro que não. Só porque o meu antagonista possuía, de fato, uma pistola de ouro, não quer dizer que o filme em questão deveria ser nomeado com base num objeto tão extravagante. Se fosse de prata, ou bronze, quem sabe a coisa toda não fosse tão deprimente. Odiava esses nomes que escolhiam à minha revelia.
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007 O Espião que me Amava

CENA 003: O Espião que me Amava

  • Mas amava as mulheres…
  • Claro, como não amá-las? (risos)
  • Sr. Moore, como o senhor explica o uso de um dublê nas cenas de esqui e paraquedas no filme da imagem ao lado?
  • O meu agente e produtor, Sir William Shakehands, me avisou com alguma antecedência sobre as exigências físicas dessas gravações. Desta maneira entrei em contato com Sean Connery que, durante um piquenique no parque, me forneceu apostilas de jiu-jitsu  brasileiro para melhor interpretação do papel. O resultado disto foi que, após 3 semanas de intenso estudo, o estúdio resolveu me substituir com um dublê que – poucos sabem – não era britânico, fato que me deixou muito magoado.
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Richard Kiel

CENA 004: Conta o Foguete da Morte

  • Falando em Brasil, conte-nos um pouco sobre o Rio de Janeiro: o que achou de atuar nos trópicos em pleno carnaval?
  • É como dizem: não há pecado ao sul do equador! E, permita-me ser honesto, que belas curvas eu vi entre o Corcovado e o Pão de Açúcar… Minha nossa!
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007 Contra o Foguete da Morte

  • Não teve medo de ficar enrolado no bondinho, Sr. Moore?
  • Não, meu amigão Jaws (Richard Kiel) estava lá para me dar apoio. Além disto, eu sabia perfeitamente que até uma eventual queda ser completa, ou seja, até eu chegar ao chão, já teria sido assaltado umas dez vezes, de modo que eu ficaria bem leve e não sofreria grandes danos ou impactos.
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007 Somente para seus Olhos

CENA 005: Somente para seus Olhos

  • Após esse trabalho intenso, o senhor ainda sentia desejo?
  • Pela carreira?
  • Isto.
  • Veja bem, eu dirigia bons carros, andava armado, beijava muito. E ainda usava ternos feitos sob medida! O que mais eu poderia querer?
  • Amor?
  • Nem me fale, garoto. Toda essa coisa de amor… Eu tive muitos amores, amei muito. Doorn Van Steyn, Dorothy Squires, Luisa Mattioli, Kristina Tholstrup… Todas essas mulheres que passaram por minha vida deixaram sua marca em minha visão. Só tive olhos para elas…
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007 Contra Octopussy

CENA 006: Contra Octopussy

  • Você foi um homem viajado, não Sr. Moore? Certamente conheceu o mundo inteiro à serviço da Sua Majestade…
  • Tantos lugares! Itália, América, França, África do Sul… Até mesmo o espaço sideral, impossível não mencionar. Em Octopussy pude tomar contato com a pobreza extrema na Índia, terra natal de minha mãe. Tocado por estas cenas inglórias, prossegui na luta contra a desigualdade após o final de minha carreira como Bond.
  • James Bond
  • Você pegou meu espírito! (risos)
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007 Na Mira dos Assassinos

CENA 007: Na Mira dos Assassinos

  • Finalmente, Sr. Moore, gostaria de deixar um recado especial para nossos leitores?
  • Não entendo muito de psicografia, mas espero que minha vida e obra possam ter, de alguma forma, emocionado alguns de vocês e que, se possível, tenham aprendido a não temer a morte.
  • Ela não é, afinal, tão mortal assim?
  • O que poucos sabem, além de você, é que somente meu corpo está morto. Por contrato, estou amarrado à minha produtora e devo voltar a atuar em breve. Talvez não com o mesmo vigor físico, mas prometo ao público que retornarei às telonas com uma nova licença para matar…

Aguardamos ansiosamente, Sr. Moore! Volte sempre!

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3 comentários sobre “007 perguntas para Roger Moore: uma entrevista marcada para depois da morte

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