14 erros que você não pode cometer ao assistir Blade Runner 2049: um guia animado!

Todo mundo já deve estar na expectativa para conferir nos cinemas Blade Runner 2049, a tão sonhada sequência do clássico filme de ficção científica de Ridley Scott: Blade Runner (1982). Este filme se tornou um clássico cult, ou seja, uma obra artística de culto para milhões de fãs em todo o mundo – não apenas pela história policial fantástica e as atuações primorosas de Harrison Ford e Sean Young, mas principalmente pela estética distópica do ambiente.

Utilizando tecnologias retrofit, o original de 1982 do diretor Ridley Scott tem algo dos filmes de detetive obscuros dos anos 40, com carros e prédios adaptados à sociedade do futuro, onde os seres humanos vivem numa Terra decadente e descartável, povoada por etnias interculturais e invadida por androides ilegais das colônias fora do planeta. Um future noir basicão.

E agora temos esse novo filme da franquia, quase inconscientemente criada pelo grande escritor de sci-fi Philip K. Dick, falecido no mesmo ano de lançamento do filme original, e que publicou Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, o livro que deu início à tudo, em 1968.

Sendo assim, vamos dar uma olhada nessa lista com 14 erros que você não pode cometer ao assistir Blade Runner 2049?

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Harrison Ford em Blade Runner 2049

ERRO 1 – Acreditar que Blade Runner 2049 é uma obra-prima

Embora seja produzido por Ridley Scott, Blade Runner 2049 tem a direção de Denis Villeneuve, que também dirigiu os filmes: Incêndios, Os Suspeitos, O Homem Duplicado, Sicario e A Chegada. Todos esses tiveram mais críticas boas que ruins, porém o trabalho minucioso feito por Ridley no primeiro filme é incomparavelmente maior.

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Rick Deckard e a androide Rachel em Blade Runner (1982)

ERRO 2 – Achar a trilha sonora de Blade Runner 2049 o máximo

No novo filme temos alguns pontos fortes, é claro, e a música de Jóhann Jóhannsson pode até parecer marcante. Mas tente ouvir a trilha sonora do filme original, composta pelo renomado compositor grego Vangelis, e você perceberá que a nova não passa, com boa vontade, de uma cópia sem graça – sem alcançar o mesmo brilho mágico do filme de 1982.

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Unicórnio sonhado por Rick Deckard em Blade Runner (1982)

ERRO 3: Pensar que Philip K. Dick tinha já Blade Runner 2049 preparado num gaveta

Quando publicou Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, K. Dick havia então produzido mais uma obra prima da literatura de ficção científica, além de outras como O Homem do Castelo Alto, Vozes da Rua e Os Três Estigmas de Palmer Eldritch. Porém certamente Philip nunca imaginou que a a mesma história de Blade Runner continuasse numa espécie de franquia, já que, na prática, cada livro de K. Dick foi pensado como uma obra distinta de literatura especulativa.

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Holograma em Blade Runner 2049

ERRO 4: Olhar a fotografia de Blade Runner 2049 e dizer “Que beleza!”

É claro que há alguma coisa bonita no novo filme, imagens bem estudadas e pensadas por Roger Deakins. Mas a fotografia de Jordan Cronenweth no primeiro filme é algo que ultrapassa os limites do incrível. Cada quadro era uma pintura expressionista mitológica, sem nenhum recurso digital, ao contrário do filme com recursos tecnológicos de video-game que vemos hoje.

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Ryan Gosling como “Oficial K.”, à procura de Rick Deckard em Blade Runner 2049

ERRO 5: Pensar que Ryan Gosling sonha com ovelhas elétricas em Blade Runner 2049

Tudo bem que há todo um mistério: os caçadores de androides são também androides e não sabem disso? Porém, vamos com calma. Como no livro e no filme original, Blade Runner 2049 também lida com a questão da humanidade nos androides e da bestialidade humana. Mas há poucos indícios de que o personagem interpretado por Ryan Gosling, o Oficial K (uma provável homenagem ao escritor Philip K. Dick), seja humano. Ou melhor, androide. Ah, você decide aí…

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Um carro de polícia retrofit voador em Blade Runner (1982)

ERRO 6: Ter esperanças de que tudo será revelado em Blade Runner 2049

Para onde foram Rick Deckard e a androide Rachel quando os dois fugiram ao final do primeiro filme? Será toda a humanidade remanescente composta por androides? Como é a vida nas Off World Colonies? A radioatividade provocada pela World War Terminus, relatada no livro Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, irá devorar por completo nosso planeta? A empatia sugerida pela pós-religião de Wilbur Mercer no livro de Dick não passa de um mito ou há maneiras de alcançá-la verdadeiramente? Rick Deckard finalmente conseguirá dinheiro suficiente para comprar uma ovelha de verdade?

Blade Runner 2049 não deve fornecer muitas respostas imediatas, pois é possível é que os executivos envolvidos queiram transformar o projeto numa verdadeira trilogia ou quadrilogia, com pelo menos mais um ou dois filmes. Além disso, todo o encanto da obra é que ela permanece aberta a interpretações contraditórias por décadas.

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Jared Leto como Wallace, o criador de Replicantes

ERRO 7: Esperar por uma participação especial do Coringa em Blade Runner 2049

Ok, Jared Leto está em Blade Runner 2049, e num papel importante: o criador de replicantes (androides) Wallace. Temos novamente a dicotomia criador/criatura, onde criados tentam um encontro com seu mestre, humanos tentam encontrar suas origens e androides sonham tocar a face de Deus. Mas embora haja torcida, ainda não temos um crossover entre Blade Runner e os personagens da DC Comics.

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Rick Deckard e o Oficial K em Blade Runner 2049

ERRO 8: Pensar que Harrison Ford e Ryan Gosling são, na verdade, pai e filho

Os traumas provocados por uma adolescência complicada, a sede de vingança, a criação adotiva e a luta final entre pai e filho são temas de outra franquia, que envolve o lado negro da força, sabres de luz e se passa há muito tempo numa galáxia muito distante. Não é o caso de Blade Runner 2049 que, como o próprio nome afirma, se passa em 2049. Neste planeta.

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Oficial K sensualizando

ERRO 9: Aguardar uma ponta da atriz Sean Young ou uma grande atuação de Harrison Ford em Blade Runner 2049

Sean Young com seus olhos vermelhos sintéticos e seu cigarro falsificado foram um caso único de sensualidade robótica nos cinemas. Jamais outra atriz ou personagem poderá superar a atuação marcante de Young como Rachel em Blade Runner (1982). Jamais outra artista poderá exercer o papel de um modelo de prazer como ela, nem mesmo as atrizes do novo filme: Ana de Armas, Mackenzie Davis ou Sylvia Hoeks. E fim de papo.

Ok, eu amo a Sean Young… Mas puxa, que belo par de circuitos, não? E Harrison Ford faz, no máximo, uma aparição protocolar, como um antigo mestre com o qual o novato precisa estabelecer contato para superar seus medos e enfrentar os perigos da jornada, mantendo o velho Deckard num plano quase secundário.

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Uma coruja elétrica em Blade Runner (1982)

ERRO 10: Assistir apenas o trailer de Blade Runner 2049

Penso que, apesar dos pesares, Blade Runner 2049 vale a pena ser visto e revisto muitas vezes no cinema. Não por tratar-se de uma obra prima, mas pela beleza do universo ficcional em que está inserido; este filme tem tudo para manter acesa a chama da devoção à literatura de Philip K. Dick, um autor de livros altamente filosóficos e de profundas reflexões morais sobre as entranhas da realidade, expondo a falsidade intrínseca em tudo aquilo que consideramos mais precioso: afeto, segurança, poder, sexo, bem-estar.

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Noite chuvosa e neon em Blade Runner (1982)

ERRO 11: Comer pipoca doce durante a exibição de Blade Runner 2049

Prefira chocolates, pois têm uma consistência mais adequada ao paladar dos espectadores de sci-fi. Primeiro temos aquela sensação adocicada ao abrir a embalagem e aproximar o chocolate no nariz. Sinta o aroma floral que resplandece por toda a sala de cinema. O sabor é encorpado, com frutas secas cristalizadas e, ao final do filme, notas de bergamota e noz moscada arrematam os créditos finais. Leve um bom vinho para acompanhar, como Sinuelo, Sangue de Boi ou Do Avô.

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Sean Young como Rachel em Blade Runner (1982)

ERRO 12: Não ler Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? antes (ou depois) de ver Blade Runner 2049

Sério, você tem que ler esse livro de Philip K. Dick. Como não se apaixonar por uma obra que se passa num mundo contaminado pela guerra nuclear, em que a maioria dos animais verdadeiros foram extintos, em que os casais acessam uma máquina de realidade virtual para simular sentimentos, em que a religião remanescente entre os humanos enfatiza uma empatia utópica que nunca existiu entre nós e em que não sabemos mais diferenciar um ser vivo de outro inanimado, diferenciar uma emoção verdadeira de uma falsa, ou um policial real de um androide farsante? Fique doido com essa leitura, mas leia!

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Rick Deckard comendo 2 + 2 sushis com macarrão em Blade Runner (1982)

ERRO 13: Esperar por uma narração em off em Blade Runner 2049

Este desastre já aconteceu no filme original em 1982, na versão para os cinemas. Meu palpite é de que a narração em off de Harrison Ford contribuiu para o fracasso nas bilheterias da época. Tudo bem que uma versão sem a narração em off (na verdade, uma excrescência imposta pela Warner) foi lançada dez anos depois, e que a versão narrada e dublada pela Herbert Richers, no Brasil, fez um tremendo sucesso nas madrugadas da Globo.

Mas a concorrência no verão de 1982 nos cinemas foi desleal, com blockbusters como E.T. – o Extraterreste; Conan – o Bárbaro; Picardias Estudantis; A Força do Destino; Pink Floyd: The Wall; Poltergeist; Mad Max 2; Rocky 3; Star Trek 2; A Coisa e Tron. Aquele foi considerado por muitos o melhor verão de todos os tempos nos cinemas norte-americanos, deixando Blade Runner (1982) enfraquecido nas vendas de ingressos – fato que não impediu seu sucesso cultural e comercial nos anos seguintes.

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Visual clássico da Los Angeles de Blade Runner (1982)

ERRO 14: Esperar grandes efeitos em Blade Runner 2049

Assista Blade Runner original (1982) e tudo será compreendido. Não há nenhuma firula computadorizada: tudo ali é maquete, miniaturas e efeitos fotográficos fabricados de maneira artesanal. Nenhum efeito especial caríssimo de Blade Runner 2049 pode sequer ser comparado à maestria dos detalhes e do design gráfico aplicados ao filme dos anos 80, que permanece influenciando gerações de artistas, diretores e produtores e estabeleceu o padrão original para uma série de obras com espírito dark que assistimos nos últimos 30 anos.

E aí, preparado para Blade Runner 2049? Eu já estou me coçando!

robocop

ERRO 15

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