A vida te deu papel e caneta? Então escreva!

Se a vida te deu asas, voe. Se a vida te deu imaginação, crie. Simples assim.

Muitas pessoas infelizmente ficam adultas e ainda acreditam em contos de fadas. Quero dizer, ler um conto de fadas é fabuloso. Mas estou falando dessa nossa vida cotidiana: de filhos para criar, contas a pagar e tarefas a fazer.

É importante que, após uma certa idade, saibamos compreender que os sonhos não batem à nossa porta enquanto estamos deitados assistindo televisão. A princesa do castelo e o príncipe do cavalo branco não irão encarnar simplesmente porque assim o desejamos.

Desejar é apenas o primeiro passo.

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Nei Lisboa – É Foch!

O segundo e, provavelmente, o mais importante é agir.

Há tanta gente nesse mundo com talentos brutos, ainda não lapidados, mas que deitam nos louros da lamentação e das vontades imediatas, sem acreditar no próprio potencial nem planejar nada a longo prazo.

O escritor e compositor gaúcho Nei Lisboa tem, entre tantas outras, uma música de ótima qualidade chamada Produção Urgente. Nela o cantor personifica, de certa forma, a diferença sutil, porém banal, entre os que apenas desejam e os que agem.

O mundo é dos vivos
O mundo é dos bancos
E os bancos dos mendigos

Perceba que, enquanto a gula pela vida, pela esperteza, leva os banqueiros a serem senhores do universo – a agirem nesta direção e propósito – o mero desejo sem rumo leva algumas pessoas aos bancos das praças.

A contemplação e a fruição da vida certamente são ingredientes importantíssimos para a felicidade e a criatividade. E, é claro, há muitos outros motivos complexos que fazem alguém mendigar nas ruas ou tornar-se bilionário.

Mas a questão colocada serve apenas para ressaltar, de forma meio expressionista, que, de maneira geral, para alcançar o sucesso, ou melhor, a realização – seja pessoal, espiritual, profissional ou financeira (não importando em que medida) – é essencial, além das decisões convictas, arregaçar as mangas e trabalhar muito.

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Dostoievski, autor de Crime e Castigo

Afinal, é sempre bom lembrar: o sucesso só vem antes do trabalho no dicionário. Então, se você tem papel e caneta, escreva. Se você tem asas, é um crime consigo mesmo não aprender a voar. E o castigo será a culpa eterna na consciência por não ter seguido os passos do escritor russo Fiódor Dostoiévski.

Isto serve para tudo. Se você tem uma mente criativa para escrever, escreva. Se você tem talento para compor, componha. Se ouvir a sua voz é como ouvir um rouxinol, cante. Se você tem as mãos precisas para desenhar, ou costurar ou cozinhar: desenhe, costure, cozinhe.

De nada adianta apenas ter o desejo oculto de ser um escritor famoso, ou artista renomado, se nada fizer por isso. Não deve haver, de maneira alguma, empecilhos – pois a grande maioria destes são apenas barreiras mentais, criadas em nossa própria psicologia interna.

Sempre é possível encaixar nossos sonhos em algum horário do dia e realizar um pouquinho de cada vez. Por exemplo, se você tem uma grande ideia para um livro na cabeça, comece com o primeiro passo. Acorde mais cedo e pesquise na internet ou na biblioteca mais próxima como escritores publicados e bem sucedidos fizeram. Leia muito e aprenda com eles.

Você tem outros compromissos, eu sei. Mas faça tudo que for possível para reservar esse momento do dia para si, mesmo que por períodos curtos, a princípio. De alguma maneira, procure eliminar as fronteiras imaginárias ou reais que te impedem de chegar lá.

O inesquecível Philip K. Dick, além de ser um erudito de primeira linha, também tinha o propósito inabalável de ser escritor de ficção científica. Este desejo insaciável o levou também a trabalhar incessantemente – muitas vezes à base de remédios – enfrentando a pobreza, os infortúnios pessoais e o descrédito, quase até o final de sua vida.

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Philip K. Dick

Muito embora ele tenha recebido um Prêmio Hugo, seu nome demorou muito a ser devidamente reconhecido no mercado editorial. Várias esposas o abandonaram, enquanto o dinheiro era escasso. Não estamos falando de nenhum santo, evidentemente. Muitos o consideravam louco e o vício em anfetaminas não foi uma boa régua para o sucesso. O que importa aqui é o exemplo do esforço e dedicação.

Faça o que você tem que fazer na vida, sem plano B, como K. Dick fez. Empreenda e procure ser remunerado por sua paixão. Faça todos os sacrifícios possíveis, desde que não afetem sua saúde nem seu equilíbrio familiar ou pessoal. Lembre de como gostaria de ser lembrado na data de sua morte: um bom funcionário? Ou um escritor talentoso? Um passivo consumidor de conteúdo ou prolífico produtor de conteúdo? Tanto faz se esse conteúdo será na forma de dissertações, poemas, contos, crônicas, posts, roteiros ou romances: o importante é produzir. O espírito das ideias precisa nascer através das palavras escritas antes dos resultados crescerem e multiplicarem.

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Blade Runner

Sempre me recordo da morte de Dick pelo seu exemplo de vida. O mundo é de loucos, insiste Nei Lisboa. E Philip K. Dick foi um desses loucos com propósito (desejo + trabalho), que viveu como mendigo, todavia seu nome tornou-se precioso no mundo literário. Em seus últimos anos de vida, já estava conseguindo fazer algum dinheiro, e um de seus inúmeros romances – Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? – seria lançado no cinema através do filme Blade Runner, do importante diretor de Hollywood Ridley Scott.

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Ernest Hemingway

Tenho certeza que Dick faleceu com um sorriso no rosto. Não apenas por ter finalmente escapado à ilusão do mundo real – como ele gostava de profetizar – mas também por ter feito, apesar de tudo e contra todos os prognósticos, um trabalho notável, e por ter realizado sua missão de vida: ser um grande escritor.

O homem nunca deve se pôr em posição de perder o que não pode se dar ao luxo de perder, afirmou o escritor Ernest Hemingway.

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Sylvester Stallone

Você sente que sua missão de vida é escrever? Acredita que não pode deixar passar a oportunidade única de correr atrás de seus sonhos, de lutar por eles? Sente que está perdendo seu precioso tempo com distrações inúteis? Tenho certeza que você possui a semente de algum talento oculto e incrível, apenas esperando a chuva para desabrochar como um flor.

Ninguém vai te bater tão forte quanto a vida, disse o escritor e cineasta Sylvester Stallone. Mas a luta só acaba quando termina. Você cairá muitas vezes; entretanto, em determinado momento, levantará voo pleno. O último capítulo do seu livro é você quem decide. Que tal começar a escrevê-lo agora?

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9 comentários sobre “A vida te deu papel e caneta? Então escreva!

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