Amy Winehouse: entre a aniquilação e o esplendor

A história do Jazz é mundialmente marcada pela presença de grandes divas da música que, com seu charme, beleza, carisma e, sobretudo, uma voz sedutora e hipnotizante, conquistaram a fama através de diferentes gerações. Dessas vozes que ouvimos e, no mesmo instante, somos envolvidos em doces nuvens de perfumes e recordações femininas, jornadas etílicas e noites vaporosas. Entre elas podemos citar Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Nina Simone, Sarah Vaughan e Norah Jones. Mas uma delas, Amy Winehouse, ganhou na última década um destaque especial no palco dessas grandes cantoras, pincelada por sua sonoridade encantadora e potente.

amy

Jovem Amy Winehouse

Desde a mais inocente idade, Amy surpreendeu familiares com seu talento vocal nato e, mais tarde, passou a cantar em pequenos clubes de jazz de Londres. Era profunda admiradora e conhecedora do gênero, que ouvia religiosamente, podendo citar a amigos e profissionais uma série de músicas e artistas aparentemente desconhecidos, nos quais ela mergulhava e recitava como um mantra. Porém, quis o destino que as ruas da capital inglesa se tornassem muito pequenas para sua adorável potência artística e, desta forma, o mundo inteiro foi tomado de assalto por suas melodias cheias de saudade, melancolia, raiva e catarse – imersas no embate atemporal entre emoção e razão; entre homens, mulheres e a aspereza de romances falidos.

Seu disco de estréia, “Frank”, de 2003, nos apresenta a uma cantora impactante, sensual, cheia de fluência e cadência, apimentada pela sensualidade latente da jovem de 20 anos que sonhava em cantar para pequenas plateias. Destaque para a canção Stronger than Me, onde percebemos que, muitas vezes, tudo que uma mulher precisa é de um homem maduro que reconheça fragilidades, e que dê à sua amante carinho e apoio – mas que muitas vezes o que ocorre é o contrário, e a parceira pode ficar sem rumo no relacionamento.

Amy_Winehouse

Back to Black

Em “Back to Black”, de 2006, seu segundo e último álbum – que a levou ao estatuo de diva internacional reconhecida e foi intensamente composto sob angústia de uma separação – ouvimos uma mulher poderosa e uma cntora preparada em algumas faixas notórias como You Know I’m No Good, Tears Dry On Their Own e, principalmente, Rehab, que introduz os fãs ao seu desastroso envolvimento com drogas ilícitas e um romance conturbado. Tais circunstâncias, cinco anos mais tarde, acabaram por conduzi-la à eternidade, não sem antes deixar sua marca nos grandes palcos da vida, que tanto a atormentaram, pois sempre preferiu o glamour intimista ao fanatismo midiático que a consumiram no fim da sua curta e brilhante existência.

Um documentário bastante honesto sobre Winehouse, morta prematuramente aos míticos 27 anos, denominado simplesmente “Amy” (2015), encontra-se disponível no Netflix. É dirigido por Asif Kapadia, também responsável pelo bom filme “Senna” (2010), sendo uma interessante sugestão para aqueles que quiserem conhecer um pouco da vida e obra da enfant terrible da música inglesa – uma diva responsável por misturas implacáveis que dançam no limiar entre amor e dor; entre jazz, blues e soul; entre aniquilação e esplendor.

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